Queria ensaiar
pagar as contas que eu ainda não tenho
passar o mês sem um tostão
me fingir de preocupado
com o aluguel vencido
com a torneira pingando
mas as pessoas continuam passando
pela rua da minha casa
preocupadas com o sol amarelo
com a chuva que parou
com a final do campeonato
e eu, sem nada na cabeça,
nada no bolso,
perco as horas,
esperando a hora de sair de casa
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12.4.10
21.5.09
Questão muda (ou Outra resposta)
Será
que ainda existe alguma coisa pra chorar?
Será?
Ultimamente
Será?
Ultimamente
só tenho chorado ouvindo ópera.
Os homens aparecem na tv,
no Jornal Nacional,
desfilando suas barbas,
seus ternos,
suas lutas,
cicatrizes...
E eu assisto, calado,
como deve ser.
Será
que existe uma bala pro meu peito?!
Pra me tornar santo?
Pra me tornar santo?
Pra me desculpar dos meus pecados,
dos meus crimes,
minhas traições?
Não vejo nada disso,
daqui do meu quarto,
da frente da tv,
tomando café na cozinha escura.
Vejo as gaiolas penduradas no quintal,
a garrafa térmica,
o saco de pão...
Vejo o céu rosa escurecendo.
13.7.08
Isto não é um bilhete suicida
Tenho andado com medo de meu coração parar de bater
Confiro várias vezes ao dia se ele está batendo direito
Ando com medo
Corro as ruas da cidade
arisco,
pronto pra fugir
Faço de tudo,
menos do que preciso
Quem sabe, qualquer hora, resolvo isso
Ou isso me resolve
E, de um jeito ou de outro, acaba
(Esse foi escrito em 11 de setembro do ano passado, por ocasião dos seis anos das Torres Gêmeas, mas não por inspiração...)
Confiro várias vezes ao dia se ele está batendo direito
Ando com medo
Corro as ruas da cidade
arisco,
pronto pra fugir
Faço de tudo,
menos do que preciso
Quem sabe, qualquer hora, resolvo isso
Ou isso me resolve
E, de um jeito ou de outro, acaba
(Esse foi escrito em 11 de setembro do ano passado, por ocasião dos seis anos das Torres Gêmeas, mas não por inspiração...)
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