12.11.09

Em que privada a gente se meteu?

Fucei minhas agendas antigas e na do ano passado (2008) achei uma anotação da qual já tinha me esquecido. Um trecho de Misto-quente, de Charles Bukowski. O trecho, do final do livro, é assim:

"Sentei-me novamente e servi um copo de vinho. Deixei minha porta aberta. A luz do luar entrou trazendo consigo os sons da cidade: vitrolas, automóveis, palavrões, latidos, rádios...Estávamos todos juntos nisso. Todos juntos num grande vaso cheio de merda. Não havia escapatória. Todos desceríamos juntos com a descarga."

Esse trecho ficou martelando na minha cabeça uns dias e agora lembrei de um trecho de Teatro dos Vampiros, da Legião Urbana:

"Vamos sair/mas não temos mais dinheiro/ os meus amigos todos estão procurando emprego/ voltamos a viver como há dez anos atrás/ e a cada hora que passa envelhecemos dez semanas"

Levando-se em consideração que há dez anos eu tinha 13 de idade e que, nessa idade, 5 reais era dinheiro suficiente pro gibi e dois pacotes de figurinha, dá pra se ter uma noção da situação. Fico triste, em saber que eu e mais uns bons amigos inteligentes (sim, me considero inteligente) estamos nessa, tolhidos, sem poder expressar plenamente o que a gente pode expressar...sem poder viver plenamente o que a gente quer viver... Mas, tendo consciência de que vamos todos descer juntos com a descarga, eu acho que a gente até que tá mandando bem...

4 comentários:

Maria Andrade Vieira disse...

vamos fazer rodar essa merda logo então.

Bah. disse...

Gah , voce eh FODA , nee !?
o.O

Katrina disse...

O pessoal do estadão que o diga isso, censurados nos dias de hoje.

Felipe Rangel Prado disse...

Se ta bunitinho