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9.11.08

Ponho pra tocar

Ponho pra tocar...

Domingo à noite,
na preparação pra mais uma semana,
só queria pedir desculpas
aos meus amigos
por eu querer ficar sozinho
e mais nada.
Devo muito a mim mesmo.
Queria ter sido mais agressivo
mais forte
mais atirado
mais solto.
Mas sou só o que sempre fui:
um menino que quer ser como o pai.
Uma trajetória bonita,
de sucesso,
sem perder a ternura e a simplicidade.

Troco a música...

E por querer tantas coisas distintas
me sinto como um simples perdido.
A feira, o banheiro, um fim de semana na praia, os bares...
... minhas aulas de desenho, ponto-cruz, meninas que me rejeitaram.
Engraçado pensar nisso agora!
Dei pra ser valente:
querer roubar a namorada dos outros,
ser alpinista,
brigar na rua,
beber até cair.

Aumento o som...

Refiz o caminho da escola esses dias.
Bateu um vazio
e vi que, depois de vinte e poucos anos,
ainda sou aquele moleque de cabelo loiro, trepando na goiabeira que eu vejo todo dia,
pendurado na parede.

Começo a cantar junto...

6.7.08

Em algum lugar da Inglaterra, perto da virada do século (ou, uma outra versão para O Jardim Secreto)

Num jardim vitoriano, onde, talvez, com algum esforço, se veja uma fada num vestido rosa transparente...

A voz doce
igual garapa
em forma de véu
voando num vento forte que bateu

...e duas crianças seguem brincando, menino e menina, comportados...

Duas frutas brotando de arbustos
cheiro de rosas
e não há soldados por aqui

É hora de sonhar
e o senhor idoso,
querendo mudar o mundo
faltou uma narração e música de fundo

... correndo desembestadas, não sabem do destino de crianças por aqui: cair no poço...