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20.3.11

Acordo em um domingo

Acordo em um domingo
prestes a vazar de alegria
quase expondo minhas partes minhas
nada íntimo
nada pessoal
tudo meu
somente meu
e nem o violão me conforta
nem o céu me convida
nem a fome apetece
fico feito de só dúvidas
esperando o simples
o ir e vir
e o dia acabar

24.1.09

Voltei a odiar as noites de domingo

Véspera de segunda-feira
21 de dezembro
me sinto como um peru de véspera
curtido pelo álcool do dia anterior
esperando o cutelo no pescoço
tomo um chá pra afagar o fígado
O computador a 43% dispara números e cálculos
de novo tô perdido em sonhos
Quem dera fosse a década de 60
e eu morreria aos 27
Mas os tempos são modernos
A saída é esperar pelo sol,
com a porta aberta
os olhos sossegados
Ontem falei mal dos outros
fingi felicidade para os amigos
e dormi mal
ainda dói a cabeça
ainda me arrependo
Voltei a odiar as noites de domingo

9.11.08

Ponho pra tocar

Ponho pra tocar...

Domingo à noite,
na preparação pra mais uma semana,
só queria pedir desculpas
aos meus amigos
por eu querer ficar sozinho
e mais nada.
Devo muito a mim mesmo.
Queria ter sido mais agressivo
mais forte
mais atirado
mais solto.
Mas sou só o que sempre fui:
um menino que quer ser como o pai.
Uma trajetória bonita,
de sucesso,
sem perder a ternura e a simplicidade.

Troco a música...

E por querer tantas coisas distintas
me sinto como um simples perdido.
A feira, o banheiro, um fim de semana na praia, os bares...
... minhas aulas de desenho, ponto-cruz, meninas que me rejeitaram.
Engraçado pensar nisso agora!
Dei pra ser valente:
querer roubar a namorada dos outros,
ser alpinista,
brigar na rua,
beber até cair.

Aumento o som...

Refiz o caminho da escola esses dias.
Bateu um vazio
e vi que, depois de vinte e poucos anos,
ainda sou aquele moleque de cabelo loiro, trepando na goiabeira que eu vejo todo dia,
pendurado na parede.

Começo a cantar junto...

18.5.08

Mais salgadinhos para aumentar a azia



Domingos já me causaram angústia em outros dias. Acordava no domingo com aquela angústia, aquel vazio chato, que dava vontade de vomitar (e aquilo não era ressaca, eu não bebia aquela época). Passou essa angústia, menos hoje.

A tarde de hoje veio azeda, chata, incômoda. Fiquei chato também, querendo estar em outras bandas, sozinho. Absolutamente sozinho, quem sabe acompanhado de uma boa garrafa de cachaça.

Nem sempre se tem o que se quer. Isso todo mundo sabe. Me fiz até o favor de desligar o telefone, desde ontem à noite. Mesmo assim, sei que esta última frase aí vai ser motivo de críticas de algum estudante relativo da caso Literatura. Não me importa.


O que eu queria hoje: morar em Raposa Serra do Sol.