5.11.08

Medroso

A verdade óbivia
é só uma
e está em mim,
todos os dias.
"A mais pura liberdade é não ter de amar ninguém"
Como se isso fosse fácil,
ou óbvio,
ou verdadeiro.
Como se fosse fácil eu dizer:
-Não fui eu quem desafinou as cordas do seu coração!
Como se o meu coração não estivesse também em frangalhos.
Como se fosse fácil fingir
todo o tempo
que eu carrego a resposta pra tudo,
sempre certo,
sempre calmo,
sempre com razão.
Eu me desespero umas dez vezes a cada segundo.
Me emociono ainda mais fácil.
Sou fraco,
sou pequeno,
medroso.
Passa o tempo...
Da sacada, olhando a cidade de frente,
olho no olho,
vivo o meu prazer...
Da sacada, olhando a cidade de frente,
olho no olho,
sinto saudades...
Vejo que o tempo já passou
tantas vezes pelo mesmo lugar
que acho que ele anda em círculos.
Há tanta coisa por fazer
pra te fazer
até a hora de o sono chegar...
E ele não chega assim tão fácil.
O gato caminha pela calçada,
calmo,
surdo aos gritos dos cachorros
e eu pensando no futuro.
Como se fosse fácil pensar no que ainda não existe.
O futuro não existe.
Como se fosse simples assim.
Vejo os mais velhos
- neuroses, vícios, tiques nervosos -
O que me resta daqui pra frente?
O futuro?!
O futuro que não existe?!
Me resta a esperança de um beijo seu
e que você chegue um dia,
batendo na minha porta,
ou me falando ao telefone,
que já resolveu tudo:
- Agora é com a gente, borboleta!
E quem sabe, aí então,
a gente faça o futuro existir,
óbivio e fácil.

3 comentários:

Amador disse...

Você é mto bom mesmo nesse negócio de poesia...bom saber que ainda tem poeta no mundo.
Talvez a única coisa que temos em comum é o fato de sermos os narradores da nossa própria vida.

Anónimo disse...

"As vezes oq parece ser nao é exatamente e o que nao parece pode ainda vir a aparecer!!!"
εïз...

Gabriel Ilário Lopes disse...

num sei se eu sô poeta não, tenho umpouco de birra com esse nome, rsrs...bom ver que as flores daqui trazem as borboletas né?