15.10.12

Questões do trabalho

Como tinha dito em uma postagem anterior, vi alguns bons exemplos na Suíça que vou tentar compartilhar por aqui.
Uma das coisas que mais chamou a nossa atenção por lá foi o nível dos estabelecimentos de alimentação por lá. Não vimos nenhum lugar precário, ou que fosse improvisado, na base da "gambiarra". Vimos até barracas de rua, nas feiras de Natal, que eram muito mais limpas, organizadas e bonitas que muita lanchonete e restaurante daqui. Acho que isso não se refere somente ao capricho dos suíços. Em primeiro lugar, tem muito a ver com o comportamento dos consumidores. Com certeza, qualidade, limpeza, organização e capricho entram na conta dos consumidores na hora de fazerem suas escolhas. Quantos de nós, por aqui, não comemos aquele pastel na feira, aquele lanche na esquina, aquele salgado de padaria que fica ali, sem higiene e sem cuidado nenhum? Mesmo vendo sujeira, descuido com a higiene e o ambiente, nós comemos. Não acho que o pastel de feira ou o lanche precisem sumir de nossas vidas. Acho que eles podem é "subir de nível", sendo mais limpos, cuidados, organizados. E o comportamento do consumidor pode, e muito, influenciar essas mudanças.
Além disso, por lá há uma fiscalização rígida e que funciona. Coisa que a gente vê falhar por aqui. Conheço casos de amigos que abrem estabelecimentos de alimentação e que têm formação, cuidado com higiene e com o serviço todo e sofrem com a fiscalização, exigindo e exigindo. Ao mesmo tempo, vejo inúmeros carrinhos de lanche sujos por aí que parecem não ter nenhum problema para funcionar. Isso sem falar nas lanchonetes fast-food dos shoppings que também são sujas e nojentas, em muitos casos e parecem não sofrer nenhuma visita de fiscais.
Uma outra coisa que pesa nisso tudo é a valorização do trabalho. Por lá, uma grande parte da população não cursa ensino superior. Muita gente, que não tem aptidão para o trabalho intelectual ou acadêmico, estuda cursos profissionais, de nível médio. Só que, muito diferente daqui, os cursos não são somente voltados para capacitar mão-de-obra para a indústria. Pelo menos na nossa região, a maioria esmagadora dos cursos técnicos é voltada para a indústria, com um ou outro na área de turismo, nutrição, administração. Mas que, ainda assim, na minha visão, parecem áreas muito amplas. Na Suíça, há cursos de açougueiro, padaria e confeitaria, vendedor de um determinado ramo de produtos, pedreiro e por aí vai. E não são cursos curtos. O curso de padeiro e confeiteiro tem duração de 4 anos. Compare com o que vemos aqui nos cursos de padeiro: geralmente são cursos rápidos que o cara faz quando está desempregado.
E, para agravar, aqui temos um estímulo nunca visto antes ao ingresso de alunos no ensino superior. Eu acredito, realmente, que a Universidade não deve filtrar seus alunos por critérios sócio-econômicos. Mas pela aptidão, sim. Nem todo mundo tem que ir pra faculdade. Para algumas pessoas, ser bem sucedido e realizado profissionalmente, não está necessariamente no Ensino Superior. Para se ter uma ideia, eu mesmo, depois de graduado e pós-graduado, resolvi fazer um curso na área de gastronomia, por gosto próprio, pela curiosidade, mais como um hobby mesmo. Após 100 horas de curso, estava habilitado para trabalhar na área, com um salário inicial de cerca de R$ 800,00. Pode até parecer pouco, mas pensando no tempo relativamente curto de estudo, até que me parece uma boa opção. O problema é que esse tipo de formação ainda não é de conhecimento de todos, não é tão popular. Mas já é um bom começo.

1 comentário:

Maria Andrade Vieira disse...

a desvalorização de algumas profissões (financeira e social) mostra com fidelidade pra onde o nosso barco tá correndo.